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O Perseguidor, de Julio Cortázar: um encontro entre literatura e jazz

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            Julio Cortázar foi um escritor que marcou o século XX. Sua literatura, original e inovadora, nos trouxe obras marcantes como “O Bestiário” e “O jogo da amarelinha”.             Cortázar tinha uma grande apreciação por música e, desse amor, particularmente pelo jazz, nasceu “O Perseguidor”, publicado em 1959. Trata-se de uma homenagem ao grande saxofonista de jazz Charlie Parker, falecido poucos anos antes.             O conto se passa na Paris dos anos 1950, época em que aquela cidade tinha se tornado um ponto de efervescência do movimento bebop.             A história é conduzida pelo narrador Bruno, jornalista e crítico de jazz. Sua biografia sobre o astro Johnny Carter estava fazendo sucesso no meio especializado.          ...

A música e a experiência da passagem do tempo

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            A passagem do tempo, fenômeno abstrato, impalpável, é algo que marca a experiência de vida de todos nós. Ela nos dá, em grande parte, uma “medida” de nossas vidas, de “quem somos”.             A vida em nossa sociedade é moldada pelo tempo do relógio, pelo calendário. Todo o universo do trabalho, das relações econômicas e tudo mais ligado a elas (ou seja, quase tudo no mundo atual) é dependente da lógica do tempo dividido em unidades iguais.             Além da organização de toda a vida prática, do dia-a-dia, a questão do tempo em nossa sociedade nos afeta também no tocante à idade que temos, pois somos compelidos a viver de maneiras mais ou menos restritas ao estágio de vida em que estamos e nossas ações, desejos, limites e possibilidades tendem a ser moldados por esses padrões constituídos.       ...